domingo, 13 de janeiro de 2013

AFETO E DESEJO


          



        Afeto – s. m. afeição, simpatia, amizade, amor.
       Desejo - s. m. 1. Ato ou efeito de desejar. 2. Anseio, aspiração.


  A criança reflete o meio em que vive. Quando recebe carinho compreensão e limites na dose certa, com certeza irá se desenvolver adequadamente. Ela se sente valorizada e desperta dentro de si a vontade de ir além e descobrir outras novidades. A afetividade impulsiona e desenvolve dentro do indivíduo o desejo de aprender e buscar o conhecimento.

A aprendizagem, para acontecer na sua plenitude, necessita que o conjunto das condições afetivo-emocionais e intelectuais esteja em igualdade.

Quando uma criança não consegue aprender, é necessário averiguar o que impede que o aprendizado aconteça.

Na maioria das vezes, a descoberta da não aprendizagem ocorre dentro da sala de aula, mas isso não significa que os pais não consigam perceber que algo não está de acordo com o esperado. Observar as atitudes de um bebê diante de estímulos visuais ou auditivos pode ser o ponto de partida para amenizar problemas mais sérios, os quais poderiam comprometer a aprendizagem daquela criança.

Ficar atento às brincadeiras e ao modo como a criança reage quando convive com outras da mesma idade também pode ser de fundamental importância.

Cuidar o modo como a criança articula as palavras. Até os 4 anos ela deverá ter condições de pronunciar corretamente todos os fonemas.

Quando existe alguma dificuldade durante a fase escolar é fundamental buscar a ajuda do profissional indicado pela escola e a partir daí formar uma parceria entre pais/profissional/escola, pois só assim a criança terá o suporte necessário para superar os obstáculos.

São muitas as situações que levam uma criança a enfrentar dificuldades na fase escolar, desde problemas na estrutura familiar, falta de organização e uma rotina adequada, até transtornos globais do desenvolvimento, os quais podem se apresentar em diferentes graus e tipologia.






OUTROS CONCEITOS IMPORTANTES:

Limite – s. m. 1. Linha de demarcação. 2. Linha real ou imaginária que separa dois terrenos ou territórios contíguos; divisa, fronteira.
Regra – s. f. 1. Aquilo que regula, dirige, rege, ou governa. 2. Aquilo que está determinado pela razão, pelo costume, preceito, princípio, lei, norma.
Valor – s. m. As normas, princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduo, classe ou sociedade, etc.


Os limites e as regras muitas vezes causam frustrações nas crianças que, por não conseguirem o seu objeto de desejo, podem utilizar artifícios para convencer os adultos a mudarem ou até mesmo retirarem o limite estabelecido.

Nessa “negociação” muitas desenvolvem o poder da argumentação e são capazes de mudar algo a seu favor. Entretanto, quando não conseguem a mudança, são levadas a um outro aprendizado: lidar com as frustrações. Ambas as situações são positivas.

As frustrações poderão mostrar para o indivíduo em formação que nem tudo pode ser do jeito desejado e que o caminho a ser percorrido até atingir o principal objetivo pode ser longo. Talvez seja necessário um pouco mais de paciência, perseverança e determinação para que a meta seja alcançada.

É sempre muito difícil estabelecer limites e manter a firmeza no momento da cobrança desses limites. Também é preciso ter cuidado para estabelecer regras coerentes com a idade e a maturidade de cada criança.

A partir de agora ficará cada vez mais difícil isolar esses conceitos, porque, como já foi dito anteriormente, o ser humano não é um ser fracionado e tudo está absolutamente interligado.

Não dá para dissociar afetividade de vínculo ou regras de limites. Para aprender, tudo deverá permanecer em harmonia. A criança, quando recebe limites e sabe lidar com as regras que foram estabelecidas, se sente cuidada, valorizada, percebe que alguém se preocupa com ela.

Mas, infelizmente, nem sempre é assim que acontece. A família e a estrutura familiar são a base de tudo. É ela que irá guiar a criança, fornecendo não só a afetividade necessária para a formação do vínculo, como também regras, limites e valores.

Para que a criança crie um vínculo positivo com a aprendizagem é necessário deixar sempre clara a satisfação do adulto que acompanha o seu crescimento, mostrar que toda a criança tem um potencial que pode e deve ser desenvolvido e que as diferenças entre cada um existem e são naturais.

Incentivar a criança a buscar o conhecimento também é uma atitude eficiente para criar um bom vínculo com a aprendizagem.

Desde cedo a criança deve se acostumar a exercer pequenas responsabilidades, como, por exemplo, guardar os brinquedos depois que foram usados. Essa atitude irá preparar o indivíduo para ser autônomo e independente, além de cumpridor dos seus deveres.

Considerar que a educação vem de casa e a instrução é dada na escola é realmente importante, porém, no que diz respeito à formação de um indivíduo, ambas são essenciais.

Cabe aos pais e/ou responsáveis e aos professores estabelecer limites, regras e as suas consequências. Quando a família já exerce essa função, a criança se adaptará mais facilmente a outros tipos de convivência como a escola, grupos de amigos, atividades esportivas, etc...

Sempre que os limites são estabelecidos é preciso explicar os motivos e as consequências caso não sejam devidamente cumpridos. A criança deve vivenciá-la para entender a regra que foi estabelecida.

Os jogos e as brincadeiras são a forma lúdica de trabalhar limites, regras e valores.









APRENDIZAGEM
Segundo a definição clássica do dicionário, aprender é tomar conhecimento de; reter na memória mediante estudo, observação e experiência; tornar-se capaz de alguma coisa através do estudo. Não dá para desconsiderar esse conceito, mas definir a aprendizagem é algo muito mais abrangente. Todos os conceitos até aqui abordados são indispensáveis não só para se elaborar uma definição, mas, principalmente, para que ela ocorra de fato.
Afetividade, desejo, valores, regras, limites, são essenciais e fazem parte da bagagem individual de cada um. Dependem do meio onde o indivíduo está inserido e esse conjunto pode estimular ou não a criança. A afetividade impulsiona o desejo, que é fundamental na construção do aprender. Sem ela a criança não formará o vínculo com a aprendizagem. Respeitar valores, regras e limites também faz parte desse processo.



Todos esses elementos são importantes e, muitas vezes, tornam-se fatores responsáveis por uma dificuldade de aprendizagem. Isso ocorre quando não são desenvolvidos da maneira certa e a criança não recebe a orientação e a estimulação necessárias.
Porém, o aprender depende também dos aspectos cognitivo, emocional e psicomotor.
Observar o que ela é capaz de fazer e dar estímulos positivos e palavras de incentivo para que continue tentando é muito, muito necessário.
A família tem uma particular importância, pois quando a criança sente que tem apoio e confiança, ela vai em frente sem medo.
Não se deve nunca desprezar, achar que é preguiça, pois aí cometeríamos o erro de transmitir que ela é incapaz, e nesse instante estaríamos abalando a auto-estima desse ser em desenvolvimento.
A partir da próxima postagem, o texto abordará como ocorre a aprendizagem no cérebro, a fisiologia da aprendizagem, o lúdico e a aprendizagem, o desenvolvimento da inteligência, dificuldades, distúrbios e transtornos de aprendizagem.


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