sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A aprendizagem no cérebro: as informações oriundas da neurologia são importantes para entender o processo de aprendizagem e os seus distúrbios.Para compreender a aprendizagem é importante conhecer a ordem dos eventos neuromaturacionais da criança ao longo do seu desenvolvimento.

  A neuroplasticidade trata da capacidade de regeneração ou de recuperação funcional das células nervosas, o que corresponde a um reaprendizado. Ela também está ligada ao processo de aprendizagem normal.





        
Os neurônios se comunicam entre si e com outras células, tais como as musculares e secretoras. A linguagem de comunicação interneural é elétrica, porém existem dois tipos de neurotransmissão: a elétrica e a química.

Elétrica: relacionada ao desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM).
Química: ligada ao aprendizado em si.

A forma mais usual de neurotransmissão interneural é a mista, ou seja, um impulso inicia elétrico, passa a ser químico na fenda sináptica e seguirá elétrico até o final do axônio seguinte.

Além do trânsito entre neurônios, ocorre também o trânsito intraneural, uma troca de informações entre o núcleo e o citoplasma e vice-versa.

Cada neurônio pode ser comparado a uma bateria elétrica, nesse caso, seriam aproximadamente 100 bilhões de baterias conectadas em série e em paralelo realizando as sinapses.

Sinapses modificáveis: se transformam conforme o evento provocador da formação de uma determinada rede neural. O seu uso aumenta o número de conexões e o seu desuso diminui a quantidade de botões sinápticos.

Sinaptogênese: é a formação de circuitos neurais. Esses circuitos ocorrem ainda durante a gestação, mas se estendem após o nascimento, originando as janelas maturacionais. Um exemplo disso seriam os circuitos neurais da visão, cuja janela maturacional se fecha por volta de 1 e 2 anos de idade.

Apoptose: é a morte programada de neurônios corticais, que se inicia no 3º trimestre de gravidez e se prolonga até o 2º ano de vida.

7 passos  da evolução das células nervosas:
1. determinação da identidade neural no neuroectoderma.
2. proliferação celular controlada.
3. migração das células precursoras (cada uma tem seu alvo).
4. diferenciação celular, para a forma e as propriedades maduras.
5. formação dos circuitos neurais.
6. eliminação programada de células e circuitos redundantes.
7. mielinização.

Classificação dos neurônios:

Aferente ou sensitivo: recebe as informações.

Eferente ou neurônio motor: envia as informações para o cérebro.

Neurônio de associação: fica no interior do Sistema Nervoso Central (SNC) e corresponde ao maior contingente de células. Aqui encontramos a principal diferença entre o homem e os demais mamíferos. É através desses neurônios que desenvolvemos a linguagem.
Ao longo do caminho as informações sofrem modificações, já que ocorrem conexões intermediárias que modulam a informação, tanto na entrada como na interpretação e na saída.

A fisiologia da aprendizagem:

As estruturas nervosas que fazem parte do processo de aprendizagem dependem do tipo de aprendizado em questão.

A atenção é um dos pré-requisitos mais importantes para o aprendizado. Ela depende de uma complexa interação entre estruturas do tronco encefálico e suas conexões com o córtex frontal. Um dos primeiros sistemas a completar o seu ciclo maturacional é justamente o da atenção.

Cerebelo: inicialmente uma estrutura ligada ao equilíbrio, tônus muscular e coordenação motora. Atualmente é considerado como um participante dos processos de mudança do foco da atenção, manutenção da atenção, aprendizagem e linguagem. Também é o responsável pelo aprendizado motor como caminhar, andar de bicicleta e escrever. É a chamada memória cinestésica.

O SNC pode ser dividido segundo critérios anatômicos, funcionais e embriológicos. O texto tratará dos dois primeiros critérios.

- Critérios anatômicos:
Sistema Nervoso Central (SNC): cérebro, cerebelo e medula.
Sisteme Nervoso Periférico (SNP): nervos, ganglios e terminações nervosas.

- Critérios funcionais:
Sistema Nervoso Somático (SNS): aquele que inerva o corpo.
Sistema Nervoso Visceral (SNV): aquele que inerva as vísceras.

Unidades Funcionais de Lúria: é uma outra forma de entender a organização neuroanatômica. São três sistemas funcionais:

1ª unidade funcional ou de vigília: constituída por unidades do tronco encefálico e suas conexões pré-frontais que regem o ciclo sono-vigília. As alterações anatômicas causam desatenção. A maturação ocorre 12 meses após a concepção. 
2ª unidade funcional: recepção, armazenamento e análise das informações. Ocorre na porção posterior dos hemisférios cerebrais. Subdivide-se em: áreas primárias, secundárias e terciárias, as quais se relacionam com a visão, audição e sensação tátil somestésica.

Áreas primárias:
- conectam o mundo externo com as áreas secundárias;
- registram as informações.
* VISÃO: lobo occiptal, sulco calcarino.
* AUDIÇÃO: 1º sulco temporal.
* SOMESTÉSICA : ocupa todo o giro pós-central.

Áreas secundárias:
- processam informações;
- responsáveis pelas gnoses.

Áreas terciárias:
- não há localização precisa;
- associação multisensorial;
- possibilitam noção de esquema corporal, espaço, tempo, cálculo e linguagem.

3ª unidade funcional: responsável pela programação, regulação e verificação continuada da atividade. Ocorre na porção anterior dos hemisférios cerebrais. Estabelece uma assimetria funcional entre os hemisférios. Corresponde a memória de trabalho, aquela que gerencia todas as demais memórias, mas não deixa rastro bioquímico.


                     


           


CURIOSIDADES:

- Os neurônios do cerebelo fazem mais de 150 mil sinapses cada um possuindo um maior potencial neuroplástico comparado com o do cérebro. 
- Gnosias: reconhecimento dos objetos por intermédio de um dos sentidos.




Bibliografia:
ROTTA, Newra Tellechea,  OHLWEILER, Lygia,  RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da Aprendizagem Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto alegre: Artmed,  2006. 477  p.



















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