DEFINIÇÃO
...”A
Psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como se
aprende, como essa aprendizagem varia
evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na
aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las.”
A
Psicopedagogia clínica, segundo Jorge Visca, deve perceber e aceitar o sujeito
como ele é. O trabalho psicopedagógico pode ser realizado tanto no consultório como também na escola, na comunidade, ou em uma
instituição. Aqui abordaremos a Psicopedagogia Clínica, onde o profissional deve possuir um olhar investigativo, uma boa escuta e uma análise clara e objetiva. O objetivo da Psicopedagogia é prevenir, identificar, tratar e eliminar as dificuldades de aprendizagem, bem como resgatar o desejo de aprender. É necessário uma boa fundamentação teórica e o estudo de livros específicos sobre o tema. Os autores que merecem destaque nessa área: Nádia Bossa, Alícia Fernandez, Maria Lúcia Weiss, Lino de Macedo, entre outros.
Representantes:
são os autores que apresentam uma concepção mais completa do ser humano, possibilitando
uma visão da pluricausalidade dos fatores que envolvem a aprendizagem e os
problemas decorrentes dele. Merecem destaques:
Sara
Pain: a aprendizagem depende da articulação dos fatores externos (meio)
e internos, os quais envolvem o organismo que possibilita reconhecer e
registrar tudo que cerca o sujeito. A aprendizagem tem as seguintes funções:
- socializadora – enquanto aprende o
sujeito se submete a normas;
- repressiva – controle: com o
objetivo de garantir a sobrevivência do sistema que rege a sociedade;
- transformadora – permite ao
sujeito participar da sociedade de modo a transformá-la e não reproduzi-la.
Jorge
Visca: a epistemologia convergente propõe a integração de pressupostos
das escolas psicanalíticas, piagetiana e da psicologia social, abrangendo assim
aspectos afetivos, cognitivos, e sociais.
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| Jorge Visca |
O tratamento psicopedagógico
O trabalho na clínica psicopedagógica segue algumas etapas.
A primeira delas ocorre no momento em que o profissional é procurado pela família. São colhidas as informações básicas sobre a queixa da escola, em seguida é feito o enquadre e posteriormente tem início o processo de avaliação psicopedagógica(diagnóstico psicopedagógico).
Vejamos os conceitos referentes a avaliação psicopedagógica:
Avaliar é um complexo dinâmico de atividades
integradas, o qual envolve uma descrição qualitativa e quantitativa de
determinados desempenhos que, associados a um julgamento de valor, conduzem à
emissão de opinião. Avalia-se o que é exteriorizado.
É importante:
* objetivar critérios para o
processo avaliativo;
* instrumentação dinâmica e
adaptável aos sujeitos e situações;
* finalidade: caracterizar
desempenhos, centrar áreas de desenvolvimento, levantar hipóteses e controlar
evoluções;
* o avaliador deve ter domínio dos
procedimentos e conhecer as etapas do desenvolvimento normal;
* o diagnóstico é um levantamento de
uma hipótese científica; é a conseqüência da avaliação.
Para avaliar, identificar uma
dificuldade de aprendizagem, é necessária a investigação dos aspectos:
a) COGNITIVO – através das Provas
Piagetianas verifica-se a capacidade que a criança possui em classificar,
seriar, incluir, conservar. Esses conceitos serão fundamentais no
desenvolvimento do raciocínio lógico. Os testes são aplicados conforme a idade
da criança. Através deles é possível identificar a fase do desenvolvimento em
que a criança está.
b) EMOCIONAL – a criança realiza
desenhos (testes projetivos) mostrando situações familiares, escolares e
com o grupo social com o qual se relaciona. Estes testes revelam como está a
auto-estima dessa criança. Ela é insegura? Possui um bom vínculo com a
aprendizagem? Como está seu relacionamento com os colegas da escola? E sua
autonomia diante das responsabilidades?
c) PSICOMOTOR – através de testes
bastante práticos é possível
observar a lateralidade, coordenação motora global e fina, noções de tempo e
espaço, esquema corporal. Quando existe uma imaturidade no aspecto psicomotor
podemos encontrar dificuldades na leitura/escrita.
d) ANAMNESES:
FAMILIAR – realiza-se uma ampla coleta
de dados desde a gravidez até a idade atual, se a criança passou por alguma
doença grave e outras informações.
ESCOLAR – coleta de dados realizada
com a colaboração dos professores. É importante saber como a criança interage
com colegas e funcionários da escola, é participativa em sala, é agressiva,
etc...
A avaliação psicopedagógica é um
processo que leva em torno de 10 encontros e a coleta e a análise das
informações deve ser minuciosa.
Após essa detalhada investigação será
possível iniciar a terapêutica para solucionar as dificuldades escolares. Além
disso, o profissional terá condições de identificar se a criança possui uma
dificuldade, um transtorno ou um problema de aprendizagem e poderá, se
necessário, encaminhar para outro profissional. Muitas vezes o trabalho multidisciplinar se faz necessário.
A avaliação tem como funções
localizar e
analisar as causas e dificuldades nas diversas áreas das suas atividades.
Identificar e avaliar as áreas de aprendizagem e ajustamento, sejam elas
negativas ou positivas.
Modelos:
Tradicional - a seqüência do processo diagnóstico é a seguinte:
1 - Anamnese
2 - Testes
3 - Provas Pedagógicas
4 - Elaboração de informe (escrito ou
não)
5 - Devolutiva aos pais
e/ou ao próprio sujeito.
Epistemologia Convergente – esta é uma linha de investigação
criada por Jorge Visca e que investiga os aspectos cognitivo, emocional e
psicomotor, buscando identificar qual(is) obstáculo(s) impede(m) a aprendizagem.
A Epistemologia Convergente apresenta
três níveis de abordagem:
1. O metacientífico, o qual analisa
com senso crítico o seu objeto de estudo psicopedagógico, ou seja, a
aprendizagem em seus estados normais e patológicos.
2. Científico: são construídos
sistemas descritivos e explicativos do objeto e seus estados ou comportamentos.
3. Técnico: são regras práticas
vinculadas à ocupação empírica.
Jorge Visca apresenta três
obstáculos que interferem no processo de aprendizagem:
OBSTÁCULO EPISTÊMICO – estágio do
pensamento que se encontra abaixo do esperado; apresenta dificuldade na
estrutura cognitiva. As Provas Piagetianas são fundamentais para a
identificação desse obstáculo.
OBSTÁCULO EPISTEMOFÍLICO – é o vínculo
negativo com a aprendizagem. Resistência ao aprender. Está presente o medo, a
confusão ao ataque e a perda. É ainda um obstáculo cultural, rejeição e
resistência às mudanças que contradizem a nossa cultura.
OBSTÁCULO FUNCIONAL – está relacionado à
psicomotricidade do sujeito a ser investigado. Alguns aspectos funcionam abaixo
do potencial. As diferenças condicionam a forma de agir e de pensar e muitas
vezes produzem dificuldade de aprendizagem. A permanência desse obstáculo
interfere no desenvolvimento cognitivo do indivíduo.
Na Epistemologia Convergente o processo diagnóstico ocorre nessa ordem:
1) E.O.C. A – Entrevista Operativa
Centrada na Aprendizagem: trata-se do primeiro encontro realizado com o
indivíduo a ser avaliado. O objetivo da EOCA é pesquisar o modelo de
aprendizagem do sujeito. É o instrumento que dará ao
psicopedagogo meios para que ele trace a sua linha de pesquisa através do
Sistema de Hipóteses.
2) Testes – são selecionados pelo
psicopedagogo e seguem uma linha de investigação. Aqui são incluídos os testes cognitivos(Provas Piagetianas), os projetivos, ( auxiliam na percepção do aspecto emocional do indivíduo), linguagem, memória, entre outros.
3) Anamnese - confirmará as hipóteses oriundas da aplicação dos testes.
4) Elaboração do informe.
5) Devolutiva aos pais e a escola.
Processo
Diagnóstico (avaliação):
consiste em delinear o diagnóstico, o prognóstico e as indicações.
Diagnóstico - para fazer o diagnóstico o
avaliador deverá observar:
a) a descrição
e situação contextual – como ele está hoje considerando os âmbitos
psicossocial, sociodinâmico e institucional.
b) os sintomas
– quais são as dificuldades encontradas pelo sujeito?
c) a descrição
e explicação a-histórica – é a avaliação em si, as causas atuais que estão
provocando a dificuldade.
d)
descrição
e explicação histórica – é a anamnese realizada com a família;
e)
desvios
e assincronias – é aquilo que foi percebido pelo avaliador e onde não há
sincronia.
Prognóstico – ele pode ser favorável,
desfavorável ou sombrio (limitado). Pode ocorrer:
a) sem agentes corretores – quando
existe a negação do problema por parte da família.
b) com agentes corretores ideais – é
tudo aquilo que o sujeito precisa.
c) com agentes corretores possíveis –
o avaliador prioriza o agente mais importante.
O prognóstico ainda possibilita
orientar o futuro processo corretor e também o acúmulo de material para
pesquisa científica.
Indicações – são feitas pelo avaliador e podem
ser gerais ou específicas. As indicações gerais são os encaminhamentos para
outros profissionais, a fim de que seja realizado um trabalho multidisciplinar
em busca da resolução das D. A. do sujeito investigado. As específicas agem
diretamente sobre a aprendizagem, são as ações recomendadas para auxiliar o
indivíduo. Como exemplo, quando há a existência de um obstáculo funcional
pode-se recomendar a prática de alguma atividade esportiva com o intuito de
desenvolver os aspectos que estão imaturos.
Devolutiva: corresponde ao último encontro destinado à avaliação
psicopedagógica. A devolutiva deverá ser feita para os pais ou responsáveis,
com ou sem a presença do sujeito investigado. A escola também deverá saber o
resultado da avaliação. A presença ou não do cliente em
questão dependerá da idade e do grau de maturidade para acompanhar o relatório.
Caso contrário, o avaliador poderá, em outra ocasião, conversar apenas com o
seu cliente e dar as explicações necessárias levando em conta a idade e a maturidade emocional do indivíduo.
Referências bibliográficas:
Bossa, Nádia Aparecida. A Psicopedagogia no
Brasil. Contribuições a partir da prática. Porto Alegre, ARTMED EDITORA, 2000.
Mac Donell, Juan José Conte;
Carlberg, Simone. Manual. Provas de Diagnóstico Operatório. Curitiba, 1994.
Visca, Jorge.
Psicopedagogia. Novas Contribuições. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1991.
WEISS, Maria Lúcia. Psicopedagogia
Clínica. Uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio
de Janeiro, DP&A Editores, 1997.
Outras referências:
OLIVEIRA, Gislene de Campos. Avaliação
psicomotora à luz da psicologia e da psicopedagogia. Petrópolis, Ed.Vozes,
2005.
OLIVEIRA, Vera Barros
de; BOSSA, Nádia Aparecida. Avaliação Psicopedagógica da criança de 0 a 6
anos. Petrópolis, Vozes, 2001.
OLIVEIRA, Vera Barros
de; BOSSA, Nádia Aparecida. Avaliação Psicopedagógica da criança de 7 a 11.
Petrópolis, Vozes, 2001.
OLIVEIRA, Vera Barros
de; BOSSA, Nádia Aparecida. Avaliação Psicopedagógica do adolescente.
Petrópolis, Vozes, 2001.



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