quarta-feira, 31 de julho de 2013

O QUE É PSICOPEDAGOGIA?

DEFINIÇÃO
       
  ...”A Psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como se aprende, como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las.”

                                                                                                                                                       
A Psicopedagogia clínica, segundo Jorge Visca, deve perceber e aceitar o sujeito como ele é. O trabalho psicopedagógico pode ser realizado tanto no consultório como  também na escola, na comunidade, ou em uma instituição. Aqui abordaremos  a Psicopedagogia Clínica, onde o profissional  deve possuir um olhar investigativo, uma boa escuta e uma análise clara e objetiva.  O objetivo da Psicopedagogia é prevenir, identificar, tratar e eliminar as dificuldades de aprendizagem, bem como resgatar o desejo de aprender. É necessário uma boa fundamentação teórica e o estudo de livros específicos sobre o tema. Os autores que merecem destaque nessa área: Nádia Bossa, Alícia Fernandez, Maria Lúcia Weiss, Lino de Macedo, entre outros. 

 Representantes: são os autores que apresentam uma concepção mais completa do ser humano, possibilitando uma visão da pluricausalidade dos fatores que envolvem a aprendizagem e os problemas decorrentes dele. Merecem destaques:
Sara Pain: a aprendizagem depende da articulação dos fatores externos (meio) e internos, os quais envolvem o organismo que possibilita reconhecer e registrar tudo que cerca o sujeito. A aprendizagem tem as seguintes funções:
- socializadora – enquanto aprende o sujeito se submete a normas;
- repressiva – controle: com o objetivo de garantir a sobrevivência do sistema que rege a sociedade;
- transformadora – permite ao sujeito participar da sociedade de modo a transformá-la e não reproduzi-la.
 Jorge Visca: a epistemologia convergente propõe a integração de pressupostos das escolas psicanalíticas, piagetiana e da psicologia social, abrangendo assim aspectos afetivos, cognitivos, e sociais. 
Jorge Visca

O tratamento psicopedagógico

                                     
O trabalho na clínica psicopedagógica segue algumas etapas. 
A primeira delas  ocorre no momento em que o profissional é procurado pela família. São colhidas as informações básicas sobre a queixa da escola, em seguida é feito o enquadre e posteriormente tem início o processo de avaliação psicopedagógica(diagnóstico psicopedagógico).

Vejamos os conceitos referentes a avaliação psicopedagógica:
Avaliar é um complexo dinâmico de atividades integradas, o qual envolve uma descrição qualitativa e quantitativa de determinados desempenhos que, associados a um julgamento de valor, conduzem à emissão de opinião. Avalia-se o que é exteriorizado.
É importante:
* objetivar critérios para o processo avaliativo;
* instrumentação dinâmica e adaptável aos sujeitos e situações;
* finalidade: caracterizar desempenhos, centrar áreas de desenvolvimento, levantar hipóteses e controlar evoluções;
* o avaliador deve ter domínio dos procedimentos e conhecer as etapas do desenvolvimento normal;
* o diagnóstico é um levantamento de uma hipótese científica; é a conseqüência da avaliação.
Para avaliar, identificar uma dificuldade de aprendizagem, é necessária a investigação dos aspectos:
a) COGNITIVO – através das Provas Piagetianas verifica-se a capacidade que a criança possui em classificar, seriar, incluir, conservar. Esses conceitos serão fundamentais no desenvolvimento do raciocínio lógico. Os testes são aplicados conforme a idade da criança. Através deles é possível identificar a fase do desenvolvimento em que a criança está.


                        


b) EMOCIONAL – a criança realiza desenhos (testes projetivos) mostrando situações familiares, escolares e com o grupo social com o qual se relaciona. Estes testes revelam como está a auto-estima dessa criança. Ela é insegura? Possui um bom vínculo com a aprendizagem? Como está seu relacionamento com os colegas da escola? E sua autonomia diante das responsabilidades?
c) PSICOMOTOR – através de testes bastante práticos  é possível observar a lateralidade, coordenação motora global e fina, noções de tempo e espaço, esquema corporal. Quando existe uma imaturidade no aspecto psicomotor podemos encontrar dificuldades na leitura/escrita.
d) ANAMNESES:
FAMILIAR – realiza-se uma ampla coleta de dados desde a gravidez até a idade atual, se a criança passou por alguma doença grave e outras informações.
ESCOLAR – coleta de dados realizada com a colaboração dos professores. É importante saber como a criança interage com colegas e funcionários da escola, é participativa em sala, é agressiva, etc...
A avaliação psicopedagógica é um processo que leva em torno de 10 encontros e a coleta e a análise das informações deve ser minuciosa.
Após essa detalhada investigação será possível iniciar a terapêutica para solucionar as dificuldades escolares. Além disso, o profissional terá condições de identificar se a criança possui uma dificuldade, um transtorno ou um problema de aprendizagem e poderá, se necessário, encaminhar para outro profissional. Muitas vezes o trabalho multidisciplinar se faz necessário.
 A avaliação tem como funções localizar e analisar as causas e dificuldades nas diversas áreas das suas atividades. Identificar e avaliar as áreas de aprendizagem e ajustamento, sejam elas negativas ou positivas.

Modelos:
Tradicional  a seqüência  do processo diagnóstico é a seguinte:
1 - Anamnese
2 - Testes
3 - Provas Pedagógicas
4 - Elaboração de informe (escrito ou não)
5 - Devolutiva aos pais e/ou ao próprio sujeito.

Epistemologia Convergente – esta é uma linha de investigação criada por Jorge Visca e que investiga os aspectos cognitivo, emocional e psicomotor, buscando identificar qual(is) obstáculo(s) impede(m) a aprendizagem.
A Epistemologia Convergente apresenta três níveis de abordagem:
1. O metacientífico, o qual analisa com senso crítico o seu objeto de estudo psicopedagógico, ou seja, a aprendizagem em seus estados normais e patológicos.
2. Científico: são construídos sistemas descritivos e explicativos do objeto e seus estados ou comportamentos.
3. Técnico: são regras práticas vinculadas à ocupação empírica.
Jorge Visca apresenta três obstáculos que interferem no processo de aprendizagem:
OBSTÁCULO EPISTÊMICO – estágio do pensamento que se encontra abaixo do esperado; apresenta dificuldade na estrutura cognitiva. As Provas Piagetianas são fundamentais para a identificação desse obstáculo.
OBSTÁCULO EPISTEMOFÍLICO – é o vínculo negativo com a aprendizagem. Resistência ao aprender. Está presente o medo, a confusão ao ataque e a perda. É ainda um obstáculo cultural, rejeição e resistência às mudanças que contradizem a nossa cultura.
OBSTÁCULO FUNCIONALestá relacionado à psicomotricidade do sujeito a ser investigado. Alguns aspectos funcionam abaixo do potencial. As diferenças condicionam a forma de agir e de pensar e muitas vezes produzem dificuldade de aprendizagem. A permanência desse obstáculo interfere no desenvolvimento cognitivo do indivíduo.
Na Epistemologia Convergente o processo diagnóstico ocorre nessa ordem:
1)  E.O.C. A – Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem: trata-se do primeiro encontro realizado com o indivíduo a ser avaliado. O objetivo da EOCA é pesquisar o modelo de aprendizagem do sujeito. É o instrumento que dará ao psicopedagogo meios para que ele trace a sua linha de pesquisa através do Sistema de Hipóteses.
2) Testes – são selecionados pelo psicopedagogo e seguem uma linha de investigação. Aqui são incluídos os testes cognitivos(Provas Piagetianas), os projetivos, ( auxiliam na percepção do aspecto emocional do indivíduo), linguagem, memória, entre outros.
3)  Anamnese - confirmará as hipóteses oriundas da aplicação dos testes.
4)  Elaboração do informe.
5)  Devolutiva aos pais e a escola.

Processo Diagnóstico (avaliação): consiste em delinear o diagnóstico, o prognóstico e as indicações.
Diagnóstico - para fazer o diagnóstico o avaliador deverá observar:
a) a  descrição e situação contextual – como ele está hoje considerando os âmbitos psicossocial, sociodinâmico e institucional.
b)   os sintomas – quais são as dificuldades encontradas pelo sujeito?
c)  descrição e explicação a-histórica – é a avaliação em si, as causas atuais que estão provocando a dificuldade.
d)    descrição e explicação histórica – é a anamnese realizada com a família;
e)    desvios e assincronias – é aquilo que foi percebido pelo avaliador e onde não há sincronia.
Prognóstico – ele pode ser favorável, desfavorável ou sombrio (limitado). Pode ocorrer:
a) sem agentes corretores – quando existe a negação do problema por parte da família.
b) com agentes corretores ideais – é tudo aquilo que o sujeito precisa.
c) com agentes corretores possíveis – o avaliador prioriza o agente mais importante.
O prognóstico ainda possibilita orientar o futuro processo corretor e também o acúmulo de material para pesquisa científica.
Indicações – são feitas pelo avaliador e podem ser gerais ou específicas. As indicações gerais são os encaminhamentos para outros profissionais, a fim de que seja realizado um trabalho multidisciplinar em busca da resolução das D. A. do sujeito investigado. As específicas agem diretamente sobre a aprendizagem, são as ações recomendadas para auxiliar o indivíduo. Como exemplo, quando há a existência de um obstáculo funcional pode-se recomendar a prática de alguma atividade esportiva com o intuito de desenvolver os aspectos que estão imaturos.
 Devolutiva: corresponde ao último encontro destinado à avaliação psicopedagógica. A devolutiva deverá ser feita para os pais ou responsáveis, com ou sem a presença do sujeito investigado. A escola também deverá saber o resultado da avaliação.  A presença ou não do cliente em questão dependerá da idade e do grau de maturidade para acompanhar o relatório. Caso contrário, o avaliador poderá, em outra ocasião, conversar apenas com o seu cliente e dar as explicações necessárias levando em conta a idade e a maturidade emocional do indivíduo. 






Referências bibliográficas:

Bossa, Nádia Aparecida. A Psicopedagogia no Brasil. Contribuições a partir da prática. Porto Alegre, ARTMED EDITORA, 2000.
Mac Donell, Juan José Conte; Carlberg, Simone. Manual. Provas de Diagnóstico Operatório. Curitiba, 1994.
Visca, Jorge. Psicopedagogia. Novas Contribuições. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1991.
WEISS, Maria Lúcia. Psicopedagogia Clínica. Uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro, DP&A Editores, 1997.

Outras referências:

OLIVEIRA, Gislene de Campos. Avaliação psicomotora à luz da psicologia e da psicopedagogia. Petrópolis, Ed.Vozes, 2005.
OLIVEIRA, Vera Barros de; BOSSA, Nádia Aparecida. Avaliação Psicopedagógica da criança de 0 a 6 anos. Petrópolis, Vozes, 2001.
OLIVEIRA, Vera Barros de; BOSSA, Nádia Aparecida. Avaliação Psicopedagógica da criança de 7 a 11. Petrópolis, Vozes, 2001.
OLIVEIRA, Vera Barros de; BOSSA, Nádia Aparecida. Avaliação Psicopedagógica do adolescente. Petrópolis, Vozes, 2001.










   





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