Afeto
– s. m. afeição, simpatia, amizade, amor.
Desejo - s. m. 1. Ato ou efeito de
desejar. 2. Anseio, aspiração.
A
criança reflete o meio em que vive. Quando recebe carinho compreensão e limites
na dose certa, com certeza irá se desenvolver adequadamente. Ela se sente
valorizada e desperta dentro de si a vontade de ir além e descobrir outras
novidades.
A afetividade impulsiona e desenvolve dentro do indivíduo o desejo de
aprender e buscar o conhecimento.
A aprendizagem, para acontecer na sua
plenitude, necessita que o conjunto das condições afetivo-emocionais e
intelectuais esteja em igualdade.
Quando uma criança não consegue aprender, é
necessário averiguar o que impede que o aprendizado aconteça.
Na maioria das vezes, a descoberta da não
aprendizagem ocorre dentro da sala de aula, mas isso não significa que os pais
não consigam perceber que algo não está de acordo com o esperado. Observar as atitudes
de um bebê diante de estímulos visuais ou auditivos pode ser o ponto de partida
para amenizar problemas mais sérios, os quais poderiam comprometer a
aprendizagem daquela criança.
Ficar atento às brincadeiras e ao modo como a
criança reage quando convive com outras da mesma idade também pode ser de
fundamental importância.
Cuidar o modo como a criança articula as
palavras. Até os 4 anos ela deverá ter condições de pronunciar corretamente
todos os fonemas.
Quando existe alguma dificuldade durante a
fase escolar é fundamental buscar a ajuda do profissional indicado pela escola
e a partir daí formar uma parceria entre pais/profissional/escola, pois só assim
a criança terá o suporte necessário para superar os obstáculos.
São muitas as situações que levam uma criança
a enfrentar dificuldades na fase escolar, desde problemas na estrutura familiar,
falta de organização e uma rotina adequada, até transtornos globais do
desenvolvimento, os quais podem se apresentar em diferentes graus e tipologia.



OUTROS
CONCEITOS IMPORTANTES:
Limite – s. m. 1. Linha de demarcação. 2.
Linha real ou imaginária que separa dois terrenos ou territórios contíguos;
divisa, fronteira.
Regra – s. f. 1. Aquilo que regula, dirige,
rege, ou governa. 2. Aquilo que está determinado pela razão, pelo costume,
preceito, princípio, lei, norma.
Valor – s. m. As normas, princípios ou
padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduo, classe ou sociedade, etc.
Os limites e as regras muitas vezes causam
frustrações nas crianças que, por não conseguirem o seu objeto de desejo, podem
utilizar artifícios para convencer os adultos a mudarem ou até mesmo retirarem
o limite estabelecido.
Nessa “negociação” muitas desenvolvem o poder
da argumentação e são capazes de mudar algo a seu favor. Entretanto, quando não
conseguem a mudança, são levadas a um outro aprendizado: lidar com as
frustrações. Ambas as situações são positivas.
As frustrações poderão mostrar para o
indivíduo em formação que nem tudo pode ser do jeito desejado e que o caminho a
ser percorrido até atingir o principal objetivo pode ser longo. Talvez seja
necessário um pouco mais de paciência, perseverança e determinação para que a
meta seja alcançada.
É sempre muito difícil estabelecer limites e
manter a firmeza no momento da cobrança desses limites. Também é preciso ter
cuidado para estabelecer regras coerentes com a idade e a maturidade de cada
criança.
A partir de agora ficará cada vez mais
difícil isolar esses conceitos, porque, como já foi dito anteriormente, o ser
humano não é um ser fracionado e tudo está absolutamente interligado.
Não dá para dissociar afetividade de vínculo
ou regras de limites. Para aprender, tudo deverá permanecer em harmonia. A
criança, quando recebe limites e sabe lidar com as regras que foram
estabelecidas, se sente cuidada, valorizada, percebe que alguém se preocupa com
ela.
Mas, infelizmente, nem sempre é assim que
acontece. A família e a estrutura familiar são a base de tudo. É ela que irá
guiar a criança, fornecendo não só a afetividade necessária para a formação do
vínculo, como também regras, limites e valores.
Para que a criança crie um vínculo positivo
com a aprendizagem é necessário deixar sempre clara a satisfação do adulto que
acompanha o seu crescimento, mostrar que toda a criança tem um potencial que
pode e deve ser desenvolvido e que as diferenças entre cada um existem e são
naturais.
Incentivar a criança a buscar o conhecimento
também é uma atitude eficiente para criar um bom vínculo com a aprendizagem.
Desde cedo a criança deve se acostumar a
exercer pequenas responsabilidades, como, por exemplo, guardar os brinquedos
depois que foram usados. Essa atitude irá preparar o indivíduo para ser autônomo
e independente, além de cumpridor dos seus deveres.
Considerar que a educação vem de casa e a
instrução é dada na escola é realmente importante, porém, no que diz respeito à
formação de um indivíduo, ambas são essenciais.
Cabe aos pais e/ou responsáveis e aos
professores estabelecer limites, regras e as suas consequências. Quando a
família já exerce essa função, a criança se adaptará mais facilmente a outros
tipos de convivência como a escola, grupos de amigos, atividades esportivas,
etc...
Sempre que os limites são estabelecidos é
preciso explicar os motivos e as consequências caso não sejam devidamente
cumpridos. A criança deve vivenciá-la para entender a regra que foi
estabelecida.
Os jogos
e as brincadeiras são a forma lúdica de trabalhar limites, regras e valores.
Segundo
a definição clássica do dicionário, aprender é tomar conhecimento de; reter na
memória mediante estudo, observação e experiência; tornar-se capaz de alguma
coisa através do estudo. Não dá para desconsiderar esse conceito, mas definir a
aprendizagem é algo muito mais abrangente. Todos os conceitos até aqui
abordados são indispensáveis não só para se elaborar uma definição, mas,
principalmente, para que ela ocorra de fato.
Afetividade,
desejo, valores, regras, limites, são essenciais e fazem parte da bagagem
individual de cada um. Dependem do meio onde o indivíduo está inserido e esse
conjunto pode estimular ou não a criança. A afetividade impulsiona o desejo,
que é fundamental na construção do aprender. Sem ela a criança não formará o
vínculo com a aprendizagem. Respeitar valores, regras e limites também faz
parte desse processo.
Todos esses elementos são importantes e,
muitas vezes, tornam-se fatores responsáveis por uma dificuldade de
aprendizagem. Isso ocorre quando não são desenvolvidos da maneira certa e a
criança não recebe a orientação e a estimulação necessárias.
Porém, o aprender depende também dos aspectos
cognitivo, emocional e psicomotor.
Observar o que ela é capaz de fazer e dar
estímulos positivos e palavras de incentivo para que continue tentando é muito,
muito necessário.
A família tem uma particular importância,
pois quando a criança sente que tem apoio e confiança, ela vai em frente sem
medo.
Não se deve nunca desprezar, achar que é
preguiça, pois aí cometeríamos o erro de transmitir que ela é incapaz, e nesse
instante estaríamos abalando a auto-estima desse ser em desenvolvimento.
A partir da próxima postagem, o texto
abordará como ocorre a aprendizagem no cérebro, a fisiologia da aprendizagem, o
lúdico e a aprendizagem, o desenvolvimento da inteligência, dificuldades,
distúrbios e transtornos de aprendizagem.