quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Como manter o seu cérebro jovem.
Vale a pena assistir. Ótimas dicas!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=v7Z5eFatGLM



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A aprendizagem no cérebro: as informações oriundas da neurologia são importantes para entender o processo de aprendizagem e os seus distúrbios.Para compreender a aprendizagem é importante conhecer a ordem dos eventos neuromaturacionais da criança ao longo do seu desenvolvimento.

  A neuroplasticidade trata da capacidade de regeneração ou de recuperação funcional das células nervosas, o que corresponde a um reaprendizado. Ela também está ligada ao processo de aprendizagem normal.





        
Os neurônios se comunicam entre si e com outras células, tais como as musculares e secretoras. A linguagem de comunicação interneural é elétrica, porém existem dois tipos de neurotransmissão: a elétrica e a química.

Elétrica: relacionada ao desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM).
Química: ligada ao aprendizado em si.

A forma mais usual de neurotransmissão interneural é a mista, ou seja, um impulso inicia elétrico, passa a ser químico na fenda sináptica e seguirá elétrico até o final do axônio seguinte.

Além do trânsito entre neurônios, ocorre também o trânsito intraneural, uma troca de informações entre o núcleo e o citoplasma e vice-versa.

Cada neurônio pode ser comparado a uma bateria elétrica, nesse caso, seriam aproximadamente 100 bilhões de baterias conectadas em série e em paralelo realizando as sinapses.

Sinapses modificáveis: se transformam conforme o evento provocador da formação de uma determinada rede neural. O seu uso aumenta o número de conexões e o seu desuso diminui a quantidade de botões sinápticos.

Sinaptogênese: é a formação de circuitos neurais. Esses circuitos ocorrem ainda durante a gestação, mas se estendem após o nascimento, originando as janelas maturacionais. Um exemplo disso seriam os circuitos neurais da visão, cuja janela maturacional se fecha por volta de 1 e 2 anos de idade.

Apoptose: é a morte programada de neurônios corticais, que se inicia no 3º trimestre de gravidez e se prolonga até o 2º ano de vida.

7 passos  da evolução das células nervosas:
1. determinação da identidade neural no neuroectoderma.
2. proliferação celular controlada.
3. migração das células precursoras (cada uma tem seu alvo).
4. diferenciação celular, para a forma e as propriedades maduras.
5. formação dos circuitos neurais.
6. eliminação programada de células e circuitos redundantes.
7. mielinização.

Classificação dos neurônios:

Aferente ou sensitivo: recebe as informações.

Eferente ou neurônio motor: envia as informações para o cérebro.

Neurônio de associação: fica no interior do Sistema Nervoso Central (SNC) e corresponde ao maior contingente de células. Aqui encontramos a principal diferença entre o homem e os demais mamíferos. É através desses neurônios que desenvolvemos a linguagem.
Ao longo do caminho as informações sofrem modificações, já que ocorrem conexões intermediárias que modulam a informação, tanto na entrada como na interpretação e na saída.

A fisiologia da aprendizagem:

As estruturas nervosas que fazem parte do processo de aprendizagem dependem do tipo de aprendizado em questão.

A atenção é um dos pré-requisitos mais importantes para o aprendizado. Ela depende de uma complexa interação entre estruturas do tronco encefálico e suas conexões com o córtex frontal. Um dos primeiros sistemas a completar o seu ciclo maturacional é justamente o da atenção.

Cerebelo: inicialmente uma estrutura ligada ao equilíbrio, tônus muscular e coordenação motora. Atualmente é considerado como um participante dos processos de mudança do foco da atenção, manutenção da atenção, aprendizagem e linguagem. Também é o responsável pelo aprendizado motor como caminhar, andar de bicicleta e escrever. É a chamada memória cinestésica.

O SNC pode ser dividido segundo critérios anatômicos, funcionais e embriológicos. O texto tratará dos dois primeiros critérios.

- Critérios anatômicos:
Sistema Nervoso Central (SNC): cérebro, cerebelo e medula.
Sisteme Nervoso Periférico (SNP): nervos, ganglios e terminações nervosas.

- Critérios funcionais:
Sistema Nervoso Somático (SNS): aquele que inerva o corpo.
Sistema Nervoso Visceral (SNV): aquele que inerva as vísceras.

Unidades Funcionais de Lúria: é uma outra forma de entender a organização neuroanatômica. São três sistemas funcionais:

1ª unidade funcional ou de vigília: constituída por unidades do tronco encefálico e suas conexões pré-frontais que regem o ciclo sono-vigília. As alterações anatômicas causam desatenção. A maturação ocorre 12 meses após a concepção. 
2ª unidade funcional: recepção, armazenamento e análise das informações. Ocorre na porção posterior dos hemisférios cerebrais. Subdivide-se em: áreas primárias, secundárias e terciárias, as quais se relacionam com a visão, audição e sensação tátil somestésica.

Áreas primárias:
- conectam o mundo externo com as áreas secundárias;
- registram as informações.
* VISÃO: lobo occiptal, sulco calcarino.
* AUDIÇÃO: 1º sulco temporal.
* SOMESTÉSICA : ocupa todo o giro pós-central.

Áreas secundárias:
- processam informações;
- responsáveis pelas gnoses.

Áreas terciárias:
- não há localização precisa;
- associação multisensorial;
- possibilitam noção de esquema corporal, espaço, tempo, cálculo e linguagem.

3ª unidade funcional: responsável pela programação, regulação e verificação continuada da atividade. Ocorre na porção anterior dos hemisférios cerebrais. Estabelece uma assimetria funcional entre os hemisférios. Corresponde a memória de trabalho, aquela que gerencia todas as demais memórias, mas não deixa rastro bioquímico.


                     


           


CURIOSIDADES:

- Os neurônios do cerebelo fazem mais de 150 mil sinapses cada um possuindo um maior potencial neuroplástico comparado com o do cérebro. 
- Gnosias: reconhecimento dos objetos por intermédio de um dos sentidos.




Bibliografia:
ROTTA, Newra Tellechea,  OHLWEILER, Lygia,  RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da Aprendizagem Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto alegre: Artmed,  2006. 477  p.



















domingo, 13 de janeiro de 2013

AFETO E DESEJO


          



        Afeto – s. m. afeição, simpatia, amizade, amor.
       Desejo - s. m. 1. Ato ou efeito de desejar. 2. Anseio, aspiração.


  A criança reflete o meio em que vive. Quando recebe carinho compreensão e limites na dose certa, com certeza irá se desenvolver adequadamente. Ela se sente valorizada e desperta dentro de si a vontade de ir além e descobrir outras novidades. A afetividade impulsiona e desenvolve dentro do indivíduo o desejo de aprender e buscar o conhecimento.

A aprendizagem, para acontecer na sua plenitude, necessita que o conjunto das condições afetivo-emocionais e intelectuais esteja em igualdade.

Quando uma criança não consegue aprender, é necessário averiguar o que impede que o aprendizado aconteça.

Na maioria das vezes, a descoberta da não aprendizagem ocorre dentro da sala de aula, mas isso não significa que os pais não consigam perceber que algo não está de acordo com o esperado. Observar as atitudes de um bebê diante de estímulos visuais ou auditivos pode ser o ponto de partida para amenizar problemas mais sérios, os quais poderiam comprometer a aprendizagem daquela criança.

Ficar atento às brincadeiras e ao modo como a criança reage quando convive com outras da mesma idade também pode ser de fundamental importância.

Cuidar o modo como a criança articula as palavras. Até os 4 anos ela deverá ter condições de pronunciar corretamente todos os fonemas.

Quando existe alguma dificuldade durante a fase escolar é fundamental buscar a ajuda do profissional indicado pela escola e a partir daí formar uma parceria entre pais/profissional/escola, pois só assim a criança terá o suporte necessário para superar os obstáculos.

São muitas as situações que levam uma criança a enfrentar dificuldades na fase escolar, desde problemas na estrutura familiar, falta de organização e uma rotina adequada, até transtornos globais do desenvolvimento, os quais podem se apresentar em diferentes graus e tipologia.






OUTROS CONCEITOS IMPORTANTES:

Limite – s. m. 1. Linha de demarcação. 2. Linha real ou imaginária que separa dois terrenos ou territórios contíguos; divisa, fronteira.
Regra – s. f. 1. Aquilo que regula, dirige, rege, ou governa. 2. Aquilo que está determinado pela razão, pelo costume, preceito, princípio, lei, norma.
Valor – s. m. As normas, princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduo, classe ou sociedade, etc.


Os limites e as regras muitas vezes causam frustrações nas crianças que, por não conseguirem o seu objeto de desejo, podem utilizar artifícios para convencer os adultos a mudarem ou até mesmo retirarem o limite estabelecido.

Nessa “negociação” muitas desenvolvem o poder da argumentação e são capazes de mudar algo a seu favor. Entretanto, quando não conseguem a mudança, são levadas a um outro aprendizado: lidar com as frustrações. Ambas as situações são positivas.

As frustrações poderão mostrar para o indivíduo em formação que nem tudo pode ser do jeito desejado e que o caminho a ser percorrido até atingir o principal objetivo pode ser longo. Talvez seja necessário um pouco mais de paciência, perseverança e determinação para que a meta seja alcançada.

É sempre muito difícil estabelecer limites e manter a firmeza no momento da cobrança desses limites. Também é preciso ter cuidado para estabelecer regras coerentes com a idade e a maturidade de cada criança.

A partir de agora ficará cada vez mais difícil isolar esses conceitos, porque, como já foi dito anteriormente, o ser humano não é um ser fracionado e tudo está absolutamente interligado.

Não dá para dissociar afetividade de vínculo ou regras de limites. Para aprender, tudo deverá permanecer em harmonia. A criança, quando recebe limites e sabe lidar com as regras que foram estabelecidas, se sente cuidada, valorizada, percebe que alguém se preocupa com ela.

Mas, infelizmente, nem sempre é assim que acontece. A família e a estrutura familiar são a base de tudo. É ela que irá guiar a criança, fornecendo não só a afetividade necessária para a formação do vínculo, como também regras, limites e valores.

Para que a criança crie um vínculo positivo com a aprendizagem é necessário deixar sempre clara a satisfação do adulto que acompanha o seu crescimento, mostrar que toda a criança tem um potencial que pode e deve ser desenvolvido e que as diferenças entre cada um existem e são naturais.

Incentivar a criança a buscar o conhecimento também é uma atitude eficiente para criar um bom vínculo com a aprendizagem.

Desde cedo a criança deve se acostumar a exercer pequenas responsabilidades, como, por exemplo, guardar os brinquedos depois que foram usados. Essa atitude irá preparar o indivíduo para ser autônomo e independente, além de cumpridor dos seus deveres.

Considerar que a educação vem de casa e a instrução é dada na escola é realmente importante, porém, no que diz respeito à formação de um indivíduo, ambas são essenciais.

Cabe aos pais e/ou responsáveis e aos professores estabelecer limites, regras e as suas consequências. Quando a família já exerce essa função, a criança se adaptará mais facilmente a outros tipos de convivência como a escola, grupos de amigos, atividades esportivas, etc...

Sempre que os limites são estabelecidos é preciso explicar os motivos e as consequências caso não sejam devidamente cumpridos. A criança deve vivenciá-la para entender a regra que foi estabelecida.

Os jogos e as brincadeiras são a forma lúdica de trabalhar limites, regras e valores.









APRENDIZAGEM
Segundo a definição clássica do dicionário, aprender é tomar conhecimento de; reter na memória mediante estudo, observação e experiência; tornar-se capaz de alguma coisa através do estudo. Não dá para desconsiderar esse conceito, mas definir a aprendizagem é algo muito mais abrangente. Todos os conceitos até aqui abordados são indispensáveis não só para se elaborar uma definição, mas, principalmente, para que ela ocorra de fato.
Afetividade, desejo, valores, regras, limites, são essenciais e fazem parte da bagagem individual de cada um. Dependem do meio onde o indivíduo está inserido e esse conjunto pode estimular ou não a criança. A afetividade impulsiona o desejo, que é fundamental na construção do aprender. Sem ela a criança não formará o vínculo com a aprendizagem. Respeitar valores, regras e limites também faz parte desse processo.



Todos esses elementos são importantes e, muitas vezes, tornam-se fatores responsáveis por uma dificuldade de aprendizagem. Isso ocorre quando não são desenvolvidos da maneira certa e a criança não recebe a orientação e a estimulação necessárias.
Porém, o aprender depende também dos aspectos cognitivo, emocional e psicomotor.
Observar o que ela é capaz de fazer e dar estímulos positivos e palavras de incentivo para que continue tentando é muito, muito necessário.
A família tem uma particular importância, pois quando a criança sente que tem apoio e confiança, ela vai em frente sem medo.
Não se deve nunca desprezar, achar que é preguiça, pois aí cometeríamos o erro de transmitir que ela é incapaz, e nesse instante estaríamos abalando a auto-estima desse ser em desenvolvimento.
A partir da próxima postagem, o texto abordará como ocorre a aprendizagem no cérebro, a fisiologia da aprendizagem, o lúdico e a aprendizagem, o desenvolvimento da inteligência, dificuldades, distúrbios e transtornos de aprendizagem.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Aprender


APRESENTAÇÃO


Eu sempre me preocupei com as crianças e a sua formação e isso ficou mais intenso com a maternidade. Educar, dar limites, saber escolher entre o sim e o não, me fez buscar a leitura de livros sobre o assunto. E foi assim que eu descobri a Psicopedagogia.

Este espaço foi criado para auxiliar aos pais, educadores e interessados no assunto.

A ideia é apresentar textos e, principalmente, dicas que poderão ser colocadas em prática de acordo com a rotina e a necessidade de cada um.

 Este é um trabalho que vem sendo pensado já há algum tempo e acredito que não exista um momento mais apropriado do que o início de um novo ano para colocá-lo em prática.

 Espero que gostem e que contribuam com suas ideias e sugestões, pois aprender é, e sempre será, uma troca de conhecimentos!


APRENDER 

 INTRODUÇÃO:
 O texto tem a intenção de ser simples, facilitar a compreensão sobre o que é e como ocorre a aprendizagem, suas particularidades, as dificuldades que podem surgir e, sobretudo, mostrar que nem sempre as crianças são realmente distraídas, esquecidas ou ainda, preguiçosas de carteirinha. Muitas vezes essas características camuflam a real condição daquele indivíduo ante a aprendizagem.

Para começar, se faz necessário abordar alguns conceitos indispensáveis no contexto da definição de aprendizagem, tais como: choro, vínculo, afeto, limites, regras, valores, desejo, brincadeiras. Todos eles interligados à aprendizagem.

O ser humano é complexo e ao longo da sua existência fica exposto a situações e circunstâncias que podem influenciar de forma positiva ou negativa no seu processo de aprendizagem.

A aprendizagem leva em conta os aspectos cognitivos, emocionais, psicomotores, além da afetividade e do desejo de aprender. Portanto, conhecer o meio em que esse indivíduo está inserido, a sua estrutura familiar, condições socioeconômicas entre outros fatores, auxilia na realização do diagnóstico psicopedagógico.


              CHORO E VÍNCULO:

O indivíduo não é um ser fracionado, tudo está devidamente interligado, fazendo parte da formação de cada ser, e tudo isso faz parte dos aspectos essenciais na formação de cada um: o cognitivo, o emocional, o psicomotor, a afetividade e, claro, sem esquecer o desejo em aprender. Quando um desses aspectos não está bem a aprendizagem fica prejudicada.
           
Toda criança, para se desenvolver completamente, deverá receber, além dos cuidados gerais necessários ao seu bem-estar, carinho e atenção. Ao identificar a necessidade do bebê, e assim resolver o seu desconforto imediatamente, tranquilizamos a criança.
 Iniciemos então pelo choro.

Qual seria a primeira forma de expressão do ser humano?

 O ser humano, ao nascer, passa por uma considerável mudança. Sai de um ambiente escuro, quentinho, para um lugar frio com luzes fortes, barulhos e vozes desconhecidas..
Isso tudo gera medo e insegurança, o que torna o choro inevitável, mas também imprescindível, pois é através dele que a equipe médica avalia os sinais vitais do bebê. 

Sendo assim, o choro é a primeira forma de expressão do indivíduo.       

Vejamos o seu significado:

Choro: S.m. 1. ato ou efeito de chorar; 2.pranto, lágrimas.

Entretanto, o seu significado e a sua importância vão muito além.

O primeiro choro é importante para avaliar o estado geral daquele ser que acabou de chegar ao mundo e a sua ausência poderá indicar algum risco ou possíveis problemas, muitas vezes com graves consequências.

Com o tempo será através dele que o recém-nascido irá expressar as suas necessidades e estabelecer com a figura materna a primeira forma de comunicação.

Através dele a criança revelará seus desconfortos tais como: dor, fome, sono, necessidades fisiológicas, manha, etc...

O choro é um fator contribuinte na formação do primeiro vínculo: mãe/bebê.

Esse conjunto de fatores possibilita o fortalecimento do mais importante vínculo afetivo no início da vida. É através do choro que a mãe irá aprender a identificar a real necessidade de seu bebê. Nessa fase inicial da vida, a mãe é como uma extensão da criança e, para que esse vínculo seja forte e positivo, é importante demonstrar sempre carinho e afeto, fala mansa e tranquila.


Vínculo: S.m. 1. Tudo o que liga ou aperta.
Um dos desconfortos que provocam o choro num bebê é a fome. Quando isso ocorre a mãe oferece o seio ao bebê. Esse momento muito especial gera uma enorme satisfação no bebê e transmite carinho e proteção.

 A troca de olhares entre mãe e filho, o “diálogo” que surge naturalmente entre eles, o carinho transmitido e sentido nesse momento é fundamental na formação de um bom vínculo.

Por isso é também fundamental um ambiente tranquilo, sem barulhos excessivos, os quais possam gerar ansiedade tanto no bebê quanto na mãe. A preocupação com a tranquilidade materna, assim como cuidar para que a mãe tenha uma boa condição emocional, é essencial na formação desse vínculo.

A criança irá estabelecer relações com outras pessoas à medida que cresce: pai, irmãos, avós, tios, babás, amiguinhos, professores, etc... 

O vínculo materno dará confiança e preparará a criança para que aos poucos outros vínculos também importantes sejam formados ao longo do seu desenvolvimento.