quinta-feira, 19 de setembro de 2013

CONSIDERAÇÕES SOBRE A INVESTIGAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM


O processo de investigação das Dificuldades de Aprendizagem (D.A.) pode ser uma longa trajetória que frequentemente tem o seu início dentro da sala de aula. Na maioria das vezes é a professora que percebe os primeiros sinais tais como: imaturidade, dificuldades de se relacionar com outras crianças, em aceitar as regras de brincadeiras e jogos, baixa autoestima, isolamento, necessidade de repetir ordens e enunciados, distração, desatenção, ausência do desejo, ansiedade, entre outros, são indicadores de que algo não vai bem com a criança e servem de motivo para que a professora faça o encaminhamento que julgar necessário.
Esses aspectos isoladamente ou não, sugerem diferentes hipóteses, já que alguns dos sintomas citados podem compor diferentes diagnósticos.  Por isso é essencial o trabalho com profissionais da saúde/educação, que estejam aptos para averiguar o que se passa com aquele aluno (a).
Diagnosticar uma D.A. pode ser uma tarefa demorada porque esbarra não só nas condições socioeconômicas da família, mas também nos anseios dos pais e da própria criança e, sobretudo no envolvimento e na aceitação por parte da família que pode não acreditar que a criança precisa de fato de ajuda, pois aceitar a dificuldade ou transtorno de aprendizagem significa mudar, sair da zona de conforto familiar, adaptando a rotina e incluindo regras e limites que não fazem parte do cotidiano familiar.
Além das dificuldades oriundas de um aspecto emocional fragilizado, existem outras igualmente significativas, pois envolvem habilidades físicas e motoras essenciais ao desenvolvimento da autonomia do indivíduo tais como: percepção visual, processamento da linguagem, habilidades motoras e a capacidade de focar a atenção.
Percepção visual: os problemas de percepção visual não indicam necessariamente uma deficiência visual, mas sim no processamento dessa visão, causando dificuldade em reconhecer, organizar, interpretar e/ou recordar imagens visuais. Essa dificuldade é sutil e muitas vezes só é percebida na sala de aula.
As crianças que possuem problemas na percepção visual podem apresentar as seguintes características:
- confundem esquerda e direita;
- tem dificuldade em cumprir horários;
- fraco senso de direção;
- não percebem os detalhes;
- dificuldade em se organizar;
- perdem objetos e não conseguem localizá-los facilmente mesmo que estejam diante dela;
- não gosta de quebra-cabeças e labirintos;
- dificuldade para entender o objetivo de um jogo.
Processamento da linguagem: os indivíduos podem demorar mais no aprendizado da fala, nem sempre compreendendo o que foi dito.
As dificuldades relacionadas ao processamento podem apresentar características ligadas a fala, linguagem e a leitura. São elas:
- fala e linguagem: atraso na fala e linguagem, alteração no tom de voz, dificuldade em nomear pessoas e objetos, vocabulário curto, fala lenta, pronúncia ruim, dificuldade com rimas;
- leitura: atraso na leitura, dificuldade em associar letras a sons, discriminar os sons das palavras, leitura lenta, dificuldade em interpretar e reter novas palavras, dificuldade em interpretar problemas matemáticos;
- escrita: tarefas incompletas, letra feia e erros ortográficos, desorganização de ideias, falta de argumentos na produção de um texto;
- outras: dificuldade em elaborar suas próprias conclusões, em comparar, classificar, lembrar-se de informações anteriores.
Dificuldades motoras: o desenho e a escrita são atividades difíceis para quem apresenta dificuldade motora fina a qual prejudica o desempenho escolar. 
Algumas características da dificuldade motora fina:
- deixa cair objetos com facilidade;
- dificuldade para manusear pequenos objetos;
- falta de habilidade para se vestir e também colorir;
- desenhos inadequados à idade;
- dificuldade para segurar o lápis adequadamente;
- escrita desproporcional.
Essas dificuldades podem se apresentar concomitante a outras situações como, por exemplo, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). É comum esse transtorno de aprendizagem estar associado ao Déficit do Processamento Auditivo Central (D-PAC), isto porque ambos apresentam falhas na atenção e memória.





Fonte:
Smith, Corine; Strick, Lisa. Dificuldades de aprendizagem de A a Z.
UM GUIA COMPLETO PARA PAIS E EDUCADORES. Ed. Artmed.



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